
Quando “Funeral” foi lançado em 2004, o mundo parou. Um grupo de canadianos aparentava querer ser a banda de referência que faltava a este século. Em 2007, quando este grupo lançava o (sempre difícil) segundo disco, o público hesitou mas acabou por aclamar “Neon Bible” como um excelente sucessor da obra-prima lançada três anos antes. Em 2010, não há/houve provavelmente nenhum álbum que tenha gerado tanta expectativa quanto “The Suburbs”. Os Arcade Fire estavam de volta e todos queríamos ver o que é que eles tinham de novo para mostrar.
Ao contrário dos seus antecessores, “The Suburbs” não é um álbum que puxe pela emotividade logo às primeiras audições. Pelo contrário, “The Suburbs” é um álbum para digerir. Com 16 músicas e cerca de uma hora de duração (o mais longo dos Arcade Fire até à data) “The Suburbs” pretende ser um álbum conceptual onde a pujança de algumas faixas coexiste na plenitude com a melancolia inerente a outras.
Como álbum conceptual, ”The Suburbs” é também um álbum que merece ser ouvido em sequência, sem estar a saltar directamente para a faixa 3, 7 ou 12. “The Suburbs” mostra que é um álbum pensado ao detalhe e que versa (na generalidade) sobre a vida nos subúrbios de uma cidade secundária, mas em concreto sobre a ansiedade existente nessa vida e quiçá, até sobre a infelicidade latente nas vidas que, por fora, aparentam ser perfeitas. Todo o álbum é uma história e, por isso, quem está à espera de encontrar um super-mega-hit como Funeral tinha em “Wake Up” ou “Power Out” ou como Neon Bible tinha com “No Cars Go”, é provável que não o encontre.
Ainda assim, existem três faixas deste álbum que pretendo destacar pelas suas particularidades:
Ready to Start: A segunda faixa do álbum que se for utilizada para abrir concertos (como o nome aparenta sugerir) vai certamente criar um ambiente inesquecível logo no início do mesmo (se bem que isso já é apanágio dos Arcade Fire).
Wasted Hours: Que nos faz pensar, por momentos, que o Neil Young colaborou no álbum (é um elogio).
Sprawl II (Mountains Beyond Mountains): Onde todos os ritmos aliados à voz da Régine Chassagne fazem com que a música pudesse ter sido perfeitamente um hit pop da década de 80 não fosse ter sido lançada trinta anos depois.
Apesar destes destaques, volto a frisar: Oiçam o álbum do princípio ao fim. Acreditem que vale a pena.
Ps: O álbum foi lançado com 8 capas distintas. A cópia que eu comprei tem a que ilustra este post. Podem vê-las todas
aqui.
4/5 (mas só porque a nossa escala só contempla números inteiros porque este é um 4 a puxar para o 5).