Os Roxy Music (com um alinhamento muito próximo do original mas sem Brian Eno, claro) subiram ontem à noite ao palco do Jardim do Marquês de Pombal em Oeiras. Ver uma banda com a história dos Roxy Music será sempre especial, no entanto estaria a mentir se não escrevesse que este concerto ficou aquém das minhas expectativas.Para descrever o que se passou ontem, sou obrigado a dividir este concerto em duas fases distintas, isto devido às dificuldades que os técnicos de som sentiram ao longo do concerto (Já lá vamos). A primeira fase do concerto, que durou sensivelmente 8 músicas, ficou marcada pela execução de um conjunto de temas progressivos onde o saxofone de Andy MacKay e a guitarra de Phil Manzanera imperaram. Ouviram-se prolongados solos destes elementos dos Roxy Music em praticamente todas as músicas, sendo que durante a execução dos solos Bryan Ferry deixava todo o protagonismo para os seus colegas, afastando-se do palco ou encostando-se a um canto qualquer enquanto eles tocavam.
Isto poderia ter sido muito interessante no entanto, e visto que o concerto começou com condições sonoras a roçar o “péssimas”, acabou por prejudicar a performance da banda, algo que fez com que a generalidade do público estivesse completamente apático durante esta fase do concerto. Ok, quando tocou o “More than This” o público despertou, mas depois voltou a estranhar os diversos “altos e baixos” no som que saía das colunas e que incidiam especialmente no microfone de Bryan Ferry (e parece que não é a primeira vez que isto ocorre na digressão actual dos Roxy Music…).
Após este período de más condições sonoras (que marcou uma grande parte do concerto) chegou um dos maiores momentos do concerto. Já com um som em condições, deu-se a segunda grande manifestação do público. “Jealous Guy” foi sem dúvida um dos melhores momentos do concerto e o cover dos Roxy Music à música de John Lennon, com os solos de saxofone de Andy Mackay, lançaram o mote para que se observassem os primeiros casais a dançar slows em pleno Oeiras Sounds.
A execução de “Jealous Guy” marcou também o início de um final de concerto em crescendo onde músicas como “Love is the Drug”, “Let’s Stick Together” e “Do the Strand” (as duas últimas já no encore), fizeram com que o público que se dirigiu a Oeiras começasse a dançar em plenos Jardins do Marquês de Pombal e a mostrar que realmente estava ali a apreciar o concerto!
Em jeito de conclusão: Como é óbvio, os melhores tempos dos Roxy Music já lã vão, no entanto eles aparentam estar preparados ainda para algo mais. A banda continua a dar tudo em palco e a voz de Bryan Ferry mantém o mesmo tom, apesar de vacilar nas partes mais exigentes das suas músicas. Felizmente, existe um coro de quatro vozes que compensava Bryan Ferry nas partes mais complicadas das músicas e impedia que as músicas saíssem descaracterizadas.
Se não tivessem sido os problemas sonoros da primeira parte do espectáculo, este concerto até poderia ter sido muito bom, mas o som é a essência do concerto e quando esse falha…
Por último, assumindo que os Roxy Music não fizeram um segundo encore (o vento que se sentia fez com que não ficássemos lá à espera) as ausências de “Avalon” e de “Slave to Love” no alinhamento de ontem fizeram-se sentir.
Créditos da Imagem: Cotonete.Clix.pt