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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Joanna Newsom @ CCB (Grande Auditório)

Apesar do Grande Auditório do CCB ser umas das melhores salas de espectáculos em Lisboa, em termos logísticos e acústicos, não deixa de ter aspecto de sala de conferências, o que é chato. Por um lado, de modo inconsciente, estive sempre à espera que Joanna Newson, principal oradora da noite, começasse a falar sobre aquecimento global ou a crise dos mercados financeiros. Por outro, a magia e o calor vindos do palco pediam outro tipo de ambiente, menos frio e “corporativo”. Mas, no final do dia, o que interessa é a música e nesse campo ninguém saiu do CCB com razões de queixa.

Joanna Newsom tem aquele ar irresistível de girl next door, situando-se numa área cinzenta entre o geek e o sexy e ao mesmo tempo possuindo uma aparente simplicidade que só por si cativa. Após o arrebatador arranque a solo, com o tema 81, Joanna Newson fez questão de apresentar, com calma e clareza, cada um dos cinco talentosos membros da sua banda e partiu para mais uma sequência forte de temas, entre eles Have One On Me, que deu nome ao seu muito aclamado disco de 2010 (que estava à venda na zona de merchandising por uns inexplicáveis € 20) e Easy.

Até ao final da sua actuação de mais de hora e meia, Joanna Newson saltitou, literalmente, entre o piano e a sua querida harpa, sempre irrepreensivelmente apoiada pela sua (algo cansada, talvez) banda, desfilando temas dos seus três discos e espalhando a magia do seu mundo fantasioso e muito próprio, perante um público inicialmente apático, crescentemente caloroso, mas sempre muitíssimo concentrado (ou hipnotizado?), fazendo por merecer as duas longas ovações de pé a que ela e a banda tiverem direito, antes e depois do encore.

Uma palavra de apresso ainda para Alasdair Roberts, um simpático cantautor escocês que, ao longo de meia hora, entreteve o público com a seu folk adocicado e fortemente influenciado pela música e cultura escocesa. Proporcionou à, já concentrada, plateia um belo início de noite.

O alinhamento do concerto de Joanna Newsom (obrigado Blitz):

1. 81
2. Have One on Me
3. Easy
4. Cosmia
5. Inflammatory Wrist
6. No Provenance
7. Soft As Chalk
8. Emily
9. Good Intentions Paving Company
10. Clam, Crab, Cockle, Cowrie

Encore

11. Baby Birch

domingo, 19 de dezembro de 2010

MGMT @ Campo Pequeno

Foto: IOL Música
Pelas 22h de ontem, os MGMT subiram ao palco do Campo Pequeno para presentear todos os presentes com uma viagem psicadélica que intercalou os hinos (aclamados) de Oracular Spectacular com toda a componente introspectiva/quasi-pink-floydesca a que fomos apresentados tanto no primeiro álbum como em Congratulations. O resultado? Um concerto competente, equilibrado e inteligente que, na minha opinião, se pode resumir numa palavra: Excepcional.

Se é verdade que os temas que causaram mais euforia na plateia foram Kids, Brian Eno, Eletric Feel e até Time to Pretend (que sofreu com um som que ainda estava a ser optimizado no início do concerto), não é menos verdade que os MGMT foram muitíssimo competentes em todo o seu concerto, oferecendo uma performance verdadeiramente hipnotizante em algumas músicas como se viu em Siberian Breaks, of Moons, Bird & Monsters e, especialmente, em The Handshake, a primeira música de um encore de duas músicas que terminou com Congratulations.

Gostei muito daquilo a que assisti ontem e penso que foi uma maneira de acabar o ano em grande no que a concertos diz respeito. Uma vénia aos MGMT e um desejo de que comecem rapidamente a trabalhar no sucessor de Congratulations. Parece que vem aí um álbum homónimo planeado para responder em antecipação aos “dogmas da indústria”.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Goldfrapp @ Coliseu dos Recreios

A Alison Goldfrapp é fofinha - uma apreciação que resulta de uma abordagem “copo meio cheio” à análise da dita quarentona. Mas se eu quisesse ser desagradável, diria que ela não passava duma Debbie Harry (Blondie) esvaziada de carisma. Perante a minha alergia crónica à objectividade, resta-me apenas acreditar que, entre uma e outra verdade, se situa a chamada "verdade verdadeira".

Ontem, num Coliseu dos Recreios relativamente composto, os Goldfrapp proporcionaram-nos uma actuação insípida. Após um início sonolento, a primeira reacção minimamente entusiástica do público surgiu com o tema “Number 1”, do álbum Supernature, entusiasmo esse que rapidamente evaporou. Os Goldfrapp aproveitaram, como seria de esperar, a oportunidade para apresentar alguns temas de Head First, o mais recente álbum do duo. O problema é que, neste álbum, os Goldfrapp ambicionaram fazer o que, por exemplo, a Ladyhawke logrou fazer no seu álbum de estreia, recorrendo inclusivamente aos mesmos ingredientes de base (a tal “borrowed nostalgia for the unremembered '80s” que James Murphy refere em “Losing My Edge”), mas esqueceram-se do tempero. E desse cenário resulta que, dos temas tocados de Head First, apenas o single “Rocket” tenha conseguido animar minimamente as hostes. Alias, na noite de ontem, apenas houve dois momentos em que os ânimos se tenham realmente exaltado (não os meus, confesso): nomeadamente os temas "Ooh La La" e "Strict Machine". O que, para um concerto em nome próprio, é escasso. Mas sabem o que é que me chateia mais? É não conseguir ficar chateado com a situação. E sabem porque? Porque afinal a Alison Goldfrapp é mesmo fofinha, raios parta.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Norberto Lobo @ Museu da Música

Durante pouco menos de uma hora, Norberto Lobo tocou esta noite num palco improvisado à entrada do Museu da Música na estação de metro do Alto dos Moinhos em Lisboa.

Num concerto inserido na iniciativa do Instituto dos Museus e da Conservação “5.as à Noite nos Museus - Verão 2010” – a decorrer até 23 de Setembro – Norberto Lobo actuou perante uma sala completamente cheia.

Sozinho em palco, primeiro com a sua guitarra acústica e, no final do concerto, com uma tambura (?), Norberto Lobo hipnotizou praticamente todos aqueles que se dirigiram ao Museu da Música. “Praticamente” só porque no meio da plateia estava um coitado de um bebé que, ao longo do concerto, achou por bem manifestar-se três vezes (a mais barulhenta, curiosamente, quando o Norberto usou a Tambura).

Apesar de apreciar bastante o som do Norberto Lobo, sou um completo ignorante em relação ao seu trabalho. Aliás, ao longo de todo o concerto só fui capaz de reconhecer os acordes da “Mudar de Bina”, no entanto não queria deixar de escrever umas linhas de apreço ao bonito concerto a que assisti hoje.

Se nos próximos dias encontrar algum vídeo do concerto, irei adicioná-lo a este post.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Juana Molina @ CCB

Graças à revista TimeOut e ao suplemento Y do Público, soube deste regresso da Juana Molina a Portugal na véspera do mesmo. Das duas uma, ou andei muito distraído nos últimos tempos ou então este concerto foi pouco divulgado mas, mesmo assim, isso não impediu que o CCB apresentasse ontem muito mais pessoas a assistir do que o concerto que a Juana Molina deu em Maio no Santiago Alquimista.

Inserido nas comemorações do Festival ‘CCB fora de si’, o concerto de Juana Molina teve entrada gratuita (o que também ajudou para que estivessem mais pessoas a assistir) e seguiu um alinhamento parecido ao que ela deu em Maio. Deste modo, não vou entrar em detalhe acerca do que se passou ontem, mas não queria deixar de referir que é sempre um prazer assistir às melodias desta simpática argentina no nosso país (mesmo em situações em que está uma ventania desenfreada como ontem)!

Aqui fica um vídeo de Juana Molina ontem no CCB encontrado no Blog “Um pastel em Belém”:


domingo, 1 de agosto de 2010

Lauryn Hill @ Praça do Comércio – Lisboa

Quando a Lauryn Hill foi anunciada para esta edição do “Festival dos Oceanos” fiquei entusiasmado, mas em nenhum momento imaginei que iria presenciar um concerto tão genial como aquele a que assisti ontem.

A Ms. Hill subiu ao palco instalado no Terreiro do Paço por volta da 1h00 e, durante sensivelmente uma hora e quarenta minutos, presenteou as muitas pessoas que foram assistir a este concerto gratuito com praticamente todas as músicas do The Miseducation of Lauryn Hill, bem como com uma série de músicas do seu tempo nos Fugees.

Durante a primeira fase do concerto, assistimos a versões prolongadas e arrojadas de diversas músicas do super-álbum que Lauryn Hill lançou em 1998. Músicas como “Lost Ones”, “Ex-Factor”, “When it hurts so bad” ou “To Zion” passaram a ter uma duração média de 7 minutos e mostraram que a Lauryn Hill, muitíssimo bem suportada pela sua banda e coros, pode andar desaparecida mas sabe muito bem como animar as hostes.

E se as pessoas já estavam animadas, ainda mais ficaram quando Lauryn Hill referiu pela primeira vez o nome dos Fugees. Penso que as primeiras músicas da banda de formação de Lauryn Hill que ouvimos ontem foram “Zealots” e “How Many Mics”, mas até ao final do concerto, houve tempo para “Fu-Gee-La” e um final (pré-encore) com uma performance brutal de “Ready or Not” (Buffalo soldier, dread-lock rhasta!) e de “Killing me Softly”.

Houve ainda direito a um encore com “Turn your Lights down low” e “Doo-Wop (That Thing)”, em algo que foi um final de concerto absolutamente memorável e que simplesmente fez pensar que o tempo que Portugal esperou por um concerto de Lauryn Hill bem que podia ser recompensado com um novo concerto de Ms. Hill!

Uma última nota, a Lauryn Hill encabeçou o cartaz do primeiro dia deste festival gratuito em substituição da Natalie Imbruglia (que cancelou a sua digressão europeia devido a “motivos pessoais”). Nada contra a Natalie, mas quem ficou a ganhar com esta troca foi mesmo o público que ontem se dirigiu à Praça do Comércio!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Flaming Lips @ Terminal 5 - NYC

Flaming LipsOs Flaming Lips actuaram esta noite no Terminal 5 (em Nova Iorque) e, no âmbito das celebrações do 25º aniversário da revista SPIN, o concerto foi transmitido em directo na Internet, mais precisamente na página de Facebook do cartão ZYNC da American Express e no Site da SPIN.

Para alguém que ainda está a decidir se vai pegar no carro no dia 5 de Agosto para ir vê-los à Zambujeira do Mar (como eu), esta transmissão em directo não podia cair em melhor altura e, por isso mesmo, optei por abdicar de algumas horas de sono de forma a poder assistir a parte deste concerto.

Para começar, uma desilusão. Apesar do concerto dos Flaming Lips ter sido anunciado para a meia-noite portuguesa (8 PM EST), não só foi atrasado 1 hora como ainda houve lugar a uma primeira parte tocada pelos Fang Island, que até se mostraram como uma banda interessante mas, tendo em conta que amanhã é dia de trabalho seriam completamente dispensáveis (de qualquer forma, achei alguma piada a esta banda e ficaram na minha lista para rever).

Perante uma sala completamente esgotada, os Flaming Lips subiram ao palco pelas 2h20 portuguesas (!) o que fez com que, logo à cabeça, eu tivesse decidido que não ia ver o concerto completo, e começaram o concerto da mesma maneira que têm andado a fazer nesta Embryonic Tour: A Banda é apresentada elemento a elemento e começa a tocar The Fear enquanto Wayne Coyne deambula dentro de uma bola insuflável pela plateia da sala. Já fora da bola insuflável, Wayne Coyne desata a cantar Worm Mountain (do Embryonic) num megafone enquanto ocorre uma chuva de confettis na sala e começam a passear balões gigantes pela plateia.

Nesta altura, e já com o público completamente rendido, os Flips lançaram-se a uma versão prolongada de Silver Trembling Hands (também do Embryonic) antes de passaram ao clássico dos clássicos She don’t use Jelly. O Single de 1993 foi o primeiro dos Flaming Lips e aconselho vivamente uma audição do mesmo para quem não o conheça!

Após She don’t use Jelly chegou uma das minhas favoritas: The Yeah Yeah Yeah Song (do brilhante, genial, incomparável “At war with the Mystics”).

E foi a gritar WITH ALL YOUR POWER, WHAT WOULD YOU DOOOOOOO? que a razão se sobrepôs à minha vontade de continuar a ver o concerto. São três da manhã e daqui a pouco mais de 4 horas tenho um despertador a tocar.

Enfim, foi com pena que não vi o concerto até ao fim, mas teve de ser. Foi um pequeno sacrifício por uma daquelas bandas que, a cada dia que passa, sobe uma posição na minha “lista de favoritas”. A vontade de ir vê-los ao Sudoeste é imensa, mas o facto de o concerto ser numa 5ªfeira e de eu não ter assim tantos dias de férias disponíveis podem dificultar essa ambição.
Fica um apelo: Que alguma promotora portuguesa os contrate para um concerto em sala fechada e em nome próprio!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Roxy Music @ Oeiras Sounds 2010

Roxy MusicOs Roxy Music (com um alinhamento muito próximo do original mas sem Brian Eno, claro) subiram ontem à noite ao palco do Jardim do Marquês de Pombal em Oeiras. Ver uma banda com a história dos Roxy Music será sempre especial, no entanto estaria a mentir se não escrevesse que este concerto ficou aquém das minhas expectativas.

Para descrever o que se passou ontem, sou obrigado a dividir este concerto em duas fases distintas, isto devido às dificuldades que os técnicos de som sentiram ao longo do concerto (Já lá vamos). A primeira fase do concerto, que durou sensivelmente 8 músicas, ficou marcada pela execução de um conjunto de temas progressivos onde o saxofone de Andy MacKay e a guitarra de Phil Manzanera imperaram. Ouviram-se prolongados solos destes elementos dos Roxy Music em praticamente todas as músicas, sendo que durante a execução dos solos Bryan Ferry deixava todo o protagonismo para os seus colegas, afastando-se do palco ou encostando-se a um canto qualquer enquanto eles tocavam.

Isto poderia ter sido muito interessante no entanto, e visto que o concerto começou com condições sonoras a roçar o “péssimas”, acabou por prejudicar a performance da banda, algo que fez com que a generalidade do público estivesse completamente apático durante esta fase do concerto. Ok, quando tocou o “More than This” o público despertou, mas depois voltou a estranhar os diversos “altos e baixos” no som que saía das colunas e que incidiam especialmente no microfone de Bryan Ferry (e parece que não é a primeira vez que isto ocorre na digressão actual dos Roxy Music…).

Após este período de más condições sonoras (que marcou uma grande parte do concerto) chegou um dos maiores momentos do concerto. Já com um som em condições, deu-se a segunda grande manifestação do público. “Jealous Guy” foi sem dúvida um dos melhores momentos do concerto e o cover dos Roxy Music à música de John Lennon, com os solos de saxofone de Andy Mackay, lançaram o mote para que se observassem os primeiros casais a dançar slows em pleno Oeiras Sounds.

A execução de “Jealous Guy” marcou também o início de um final de concerto em crescendo onde músicas como “Love is the Drug”, “Let’s Stick Together” e “Do the Strand” (as duas últimas já no encore), fizeram com que o público que se dirigiu a Oeiras começasse a dançar em plenos Jardins do Marquês de Pombal e a mostrar que realmente estava ali a apreciar o concerto!

Em jeito de conclusão: Como é óbvio, os melhores tempos dos Roxy Music já lã vão, no entanto eles aparentam estar preparados ainda para algo mais. A banda continua a dar tudo em palco e a voz de Bryan Ferry mantém o mesmo tom, apesar de vacilar nas partes mais exigentes das suas músicas. Felizmente, existe um coro de quatro vozes que compensava Bryan Ferry nas partes mais complicadas das músicas e impedia que as músicas saíssem descaracterizadas.

Se não tivessem sido os problemas sonoros da primeira parte do espectáculo, este concerto até poderia ter sido muito bom, mas o som é a essência do concerto e quando esse falha…

Por último, assumindo que os Roxy Music não fizeram um segundo encore (o vento que se sentia fez com que não ficássemos lá à espera) as ausências de “Avalon” e de “Slave to Love” no alinhamento de ontem fizeram-se sentir.

Créditos da Imagem: Cotonete.Clix.pt

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um Wrap-Up do Optimus ALIVE! 2010

Por motivos que não interessam aqui (mas que não tem a haver com bilhetes esgotados) só assisti aos primeiros dois dias do ALIVE 2010! e, apesar de ter visto alguns concertos memoráveis, a primeira memória que me vem à cabeça são as duas horas e tal que passei numa fila para trocar a pulseira no primeiro dia do Festival. A Everything is New não é propriamente nova neste campeonato e, desse modo, foi uma surpresa muitíssimo desagradável ter ficado todo aquele tempo ali que me fez perder por exemplo os concertos de The Drums e grande parte de Devendra Banhart. Claramente um ponto a rever na edição do próximo ano (uma boa ideia será voltar a fazer o que quer que se tenha feito nos anos anteriores, visto que foi a primeira vez que me aconteceu tal coisa no ALIVE!).

Em relação a concertos, não vou fazer uma análise detalhada de cada um dos que vi, no entanto sou obrigado a destacar pela positiva a “pureza” do concerto de Alice in Chains, a energia e a irreverência do Mike Patton no concerto de Faith no More, o “poder” dos concertos dos PAUS e da Florence Welch. Pela negativa, digo somente que estava à espera de muito mais no concerto de La Roux.

Last but not the least, faço aqui mesmo à frente do computador uma vénia ao magnífico concerto dado por James Dean Bradfield, Nicky Wire, Sean Moore e os dois “novos” Manic Street Preachers no final de tarde do segundo dia do festival.

Com um início arrebatador, com “Motorcycle Emptiness” e “Everything must Go”, os Manics conquistaram o público presente. Depois, com um alinhamento que foi alternando hits do passado com músicas mais recentes, os Manics mostraram que estão aí para as curvas. Destaco ainda o momento que foi a performance de “A Design for Life”. Quem diria que existia tanta gente em Portugal a saber a letra do principio ao fim?

Enfim, para o ano há mais, e as datas já foram inclusive anunciadas pelo Álvaro Covões. Será nos dias 7, 8 e 9 de Julho de 2011 que vai ocorrer a próxima edição do ALIVE! sendo que em Novembro deste ano vão começar a ser anunciados os primeiros nomes. O meu desejo? Que o alinhamento da próxima edição do ALIVE! seja tão bom como este, mas que a EiN tenha em conta os problemas que existiram no primeiro dia.

Para fechar o post, aqui fica o vídeo da performance de “Motorcycle Emptiness” (infelizmente não encontrei nenhum vídeo de jeito do “A Design for Life”):


terça-feira, 18 de maio de 2010

Gil Scott-Heron @ Aula Magna

Em Julho de 2009 comovi-me ao ver Leonard Cohen entrar em palco no Pavilhão Atlântico. Ver aquele carisma todo e tanta experiência de vida engarrafados num só corpo franzino e frágil mexeu comigo. Nem sempre temos a oportunidade (ou o privilégio) de confrontar um mito com o seu ser humano correspondente. E, ao contrário do que esperava, a desmitificação fez-me sentir pequeno. É mais fácil justificar a nossa menor “relevância” quando nos comparamos a um mito, até porque é bem mais fácil gerir expectativas quando se é o underdog. Mas quando constatei que, afinal, o “mito” é tão vulnerável como eu, precisando, também ele, que o seu coração continue a bater para que o show continue, só me restou um pensamento: porque é que estou eu enfiado num escritório, com uma indumentária desconfortavelmente formal, a escrever sobre ele e não vice-versa?

Ontem, por volta das 22:10, voltei a emocionar-me perante a entrada em palco de outra lenda viva: Gil Scott-Heron, um revolucionário que, na minha opinião, fez para a música negra, e não só, aquilo que Leonard Cohen fez para a música “branca” (se é que esse conceito existe). Estereótipos à parte, Gil Scott-Heron é um poeta / músico (ou músico / poeta?) com uma voz quente, embora dignamente “gasta”, que nos aqueceu as almas ontem à noite, durante pouco mais de hora e meia de actuação (incluindo dois encores), através do seu sentido de humor apurado (o momento em que se apresentou ao público foi de stand-up comedy puro), da sua postura doce e humilde, das suas palavras, da sua voz hipnotizante, do som aveludado do seu piano Rhodes (adoro) e do ambiente intimista que as suas melodias soul criaram naquela sala, onde a devoção era palpável. Se fechássemos os olhos, éramos transportados para um piano bar num bairro negro dos EUA nos anos 70. Só faltou mesmo o cheiro a cigarros.

Fugindo do cliché do concerto em formato “best of”, Gil Scott-Heron e a sua amável banda (percussão, teclas e harmónica) tocaram aquilo que lhes apeteceu. Músicas do último álbum, “I’m new here”, que estaria a ser promovido? Uma (“I’ll take care of you”). Grandes hits? Só alguns (“Winter in America” e “The Bottle” são alguns exemplos), mas o icónico “The Revolution Will Not be Televised”, por exemplo, não deu sinais de vida (apesar dos pedidos insistentes de uma irritante fracção do público). Não foi um concerto tecnicamente perfeito, tendo estado longe disso. Mas, para mim, tal como terá sido para muitas das pessoas que estiveram presentes na Aula Magna (contribuindo para uma sala bem composta, embora não esgotada), foi uma noite inesquecível. O diabo andou à solta no álbum “I’m new here”, mas ontem reinou a paz e eu, pelo menos, abandonei o local do crime com uma enorme leveza de espírito. Como se tivéssemos saído de um confessionário, em que Gil Scott-Heron confessou-se pelos seus (muitos) pecados e... também pelos nossos.

domingo, 16 de maio de 2010

From Brooklyn to the World – The National @ Brooklyn Academy of Music


Num evento que tinha tudo para ficar na História, os The National deram hoje um concerto na Brooklyn Academy of Music que foi transmitido para todo o mundo em directo no YouTube.

Obviamente, ver um concerto através de um ecrã nunca será a mesma coisa do que assistir ao vivo, no entanto, e tendo em conta a qualidade do som e de imagem que esta parceria YouTube/VEVO nos trouxe, só tenho a dizer que iniciativas deste género são muito, muito bem-vindas!

O concerto, cujas receitas foram para a associação de luta contra a SIDA, Red Hot, serviu para apresentar o novo álbum, High Violet, na íntegra. Naturalmente, também foram tocadas várias músicas tanto de “Alligator” como de “Boxer”.

Os The National deram um concerto competente e que contou como convidados especiais, com Surfjan Stevens e Richard Parry (Arcade Fire). O primeiro esteve em palco durante “Afraid of Everyone”, “Conversation 16” e “Terrible Love” e fez, essencialmente segundas vozes. Por outro lado, Richard Parry tocou diversos instrumentos e fez segundas vozes ao longo de todo o concerto.

Uma coisa curiosa neste concerto foi observar a reacção do público. Salvo raras excepções (quiçá estrangeiros infiltrados na audiência) o público esteve totalmente amorfo, isto apesar do concerto ter sido, na minha opinião, suficientemente capaz de agitar as massas… Somente as incursões de Matt Berninger pelo auditório durante “Bloodbuzz Ohio” e “Mr. November” é que pareceram capazes de animar as hostes. Não admira que estas bandas digam bem do público português quando vêem até cá!

Enfim, uma vez que já é tarde e que me quero ir deitar, digo-vos somente que depois deste concerto passei a adorar a Little Faith (que era uma das músicas de High Violet que anteriormente menos me chamava a atenção) e que estou a ponderar seriamente dar um saltinho ao Meco no próximo dia 18 de Julho.

Deixo-vos agora com a Setlist apresentada neste concerto global. Caso queiram ver algumas imagens convenientemente tiradas com o botão de PrintScreen, encontram um Slideshow no topo da mensagem

SetList - The National @ Brooklyn Academy of Music - 15/05/2010

1. Mistaken for Strangers
2. Anyone’s Ghost
3. Bloodbuzz Ohio
4. Afraid of Everyone
5. Secret Meeting
6. Slow Show
7. Squalor Victoria
8. Little Faith
9. All The Wine
10. Vanderlyle Crybaby Geeks
11. Conversation 16
12. Apartment Story
13. Abel
14. Sorrow
15. England
16. Fake Empire

Encore

17. Runaway
18. Lemonworld
19. Mr. November
20. Terrible Love

sábado, 8 de maio de 2010

Rufus Wainwright @ Aula Magna

Ontem na Aula Magna viveu-se uma experiência do tipo “2 em 1” num concerto. A performance de Rufus Wainwright dividiu-se em dois actos intervalados por 30 minutos e que foram, entre si, totalmente antagónicos.

Durante o primeiro acto foi apresentado o novo álbum de Rufus “All Days Are Nights: Songs For Lulu”, numa execução que teve mais de cénica do que estimulante e que consistia num Rufus muito teatral vestido à Anjo da Morte o que, em conjugação com o espectáculo de luzes e com as imagens apresentadas no vídeoscreen do palco, davam a sensação de que estávamos a visualizar um filme a preto a branco.

Durante este primeiro acto, e salvo raras excepções, não se ouviu nada para além da música que vinha do palco, isto apesar da Aula Magna estar cheia. Antes do início do concerto foi-nos solicitado por um membro da Organização que não se fizesse qualquer ruído nem mesmo entre músicas. O público cumpriu e esta situação, aliada ao que se passava em palco, criava efectivamente um ambiente diferente e interessante, mas confesso que considerei o primeiro acto um bocado esgotante (durou sensivelmente uma hora).

Após um intervalo de meia hora, Rufus voltou então ao palco para o segundo acto do espectáculo. Novamente só com Rufus e o piano houve desta vez espaço para inúmeras interacções com o público durante as músicas. Houve elogios a Jeff Buckley, a Lisboa, críticas à quantidade de posters do Papa que se encontram por Lisboa e, claro, várias referências à família Wainwright cuja Matriarca Kate McGarrigle faleceu no início deste ano.

Neste segundo acto, Rufus deu o concerto que, pelo menos eu, esperava ver. Foi percorrida toda a sua carreira e os momentos mais altos terão sido eventualmente “Memphis Skyline”, “Vibrate” e “Cigarettes and Chocolate Milk”, a música com que foi fechado o segundo acto do concerto.

Antes do concerto terminar houve ainda espaço para um encore de três músicas, “Poses”, “Going to a Town” e “Walking Song”, uma música composta por Kate McGarrigle e que foi a forma de Rufus homenagear a sua mãe antes de terminar o espectáculo.

Rufus Wainwright é um compositor excepcional e provou isso mesmo mais uma vez ontem à noite na Aula Magna. Durante quase 3 horas num concerto que teve duas partes muito distintas mas ambas com muita qualidade.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Juana Molina @ Santiago Alquimista


Acabado de regressar do Santiago Alquimista, onde assisti a um concerto que já ansiava ver há alguns anos, chego a casa com um sorriso na cara.

Talvez por desconhecimento, talvez por um hipotético jogo do título, o Santiago Alquimista não devia apresentar mais de 70 pessoas na noite de hoje. De qualquer modo, quem lá esteve teve oportunidade de assistir a uma Juana Molina divertida e a um concerto harmonioso, onde os ritmos da guitarra, do órgão e da sua voz coexistiram na plenitude.

Nos momentos que antecederam o concerto, ouvia-se uma voz radiofónica na sala a relatar as ocorrências dos jogos desta jornada (algo que a Juana Molina não ouviu, de outra forma não nos teria perguntado durante o concerto se nós não éramos “Futboleros”). O facto de ter descoberto na hora que o clube pelo qual eu torço estava a perder mais uma vez em casa fez com que torcesse o nariz, no entanto, assim que a Juana Molina entrou no palco e começou o concerto da mesma maneira que começa o seu último álbum, com “Un día” e “Vive Solo”, isso passou-me rapidamente!

Ao longo do concerto, não foram poucas as vezes em que fiquei espantado com a capacidade de coordenação evidenciada pela Juana Molina a articular num loop a sua própria voz, a guitarra e o órgão. Dessa maneira foi capaz de, sozinha em palco, recriar exactamente aquilo que eu conhecia das suas músicas em disco. Em “La Verdad”, a única música da Juana Molina que eu podia dizer sem hesitações que conhecia de uma ponta à outra, isso foi mesmo evidente.

O concerto durou sensivelmente 1h:15m e teve direito a encore com sugestões do público. Para azar da Juana Molina, alguém pediu “Rio Seco”, a primeira música do álbum “Son”. Ela hesitou, uma vez que aparentemente nunca a toca em concertos, mas acabou por cumprir e até se saiu bastante bem!
Para terminar, fomos presenteados ainda com uma arrebatadora performance de “Sálvese quien pueda", que gerou um muito merecido aplauso dos presentes e fez com que eu saísse do Santiago com vontade de dizer pessoalmente à Juana Molina um “Hasta la proxima”.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

José James Quartet @ Portalegre JazzFest

Faltavam poucos minutos para as 22:00 quando José James e o seu quarteto entraram em palco no auditório principal do Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre. Perante uma plateia amante do jazz (não fizesse este concerto parte da 8ª edição do JazzFest de Portalegre), mas aparentemente desconhecedora da ainda curta obra (dois álbuns de estúdio, "The Dreamer", de 2007, e "Blackmagic", de 2010) deste verdadeiro smooth operator nova iorquino, os José James Quartet não tiveram dificuldades em aquecer os ânimos que, desta forma, contrastavam com o frio que se sentia na fantasmagórica, embora encantadora, Praça da República de Portalegre.

Ao longo de cerca de hora e meia, José James e a sua banda (um baterista, um baixista, um pianista / teclista e uma cantora back-up que parecia saída de um piano bar de hotel num filme dos anos 80) apresentaram ao público a sua personalizada fusão de jazz e soul, tocando cerca de uma dúzia de temas. James concedeu, frequentemente, aos seus músicos hipóteses de brilhar, tendo estes retribuído com inúmeros solos cheios de feeling, com o "pequeno" baterista a cair nas graças do público. Já depois das 23:30, e após um encore intenso em improvisações, José James despediu-se de vez, mostrando evidente satisfação por ter ultrapassado com relativa facilidade a desconfiança inicial deste público Alentejano (com dois Lisboetas infiltrados numa das primeiras filas). Segue-se a conquista do público Conimbricense.

domingo, 31 de janeiro de 2010

domingo, 24 de janeiro de 2010

Cordofolia @ Fábrica do Braço de Prata

Ontem à noite, na Sala Wittgenstein da Fábrica do Braço de Prata em Lisboa, foi apresentado o Projecto Cordofolia, um projecto que se auto-intitula como "de cordas" (incluindo as vocais, as do órgão e as de um instrumento de percussão que será descrito mais à frente neste post) mas que na realidade também apresenta instrumentos de sopro e um tipo de castanholas improvisadas (ainda que estes últimos casos sejam apresentados de uma maneira não muito ortodoxa).

Logo na primeira interpretação, o vocalista deste Projecto fez questão de apresentar à sua plateia alguns dos instrumentos que estavam no palco: Por um lado, fomos apresentados ao Cavacão (algo como um Cavaquinho em ponto grande) e, por outro lado, ao Melobúzio, um instrumento de percussão que consiste num conjunto de búzios de diferentes tamanhos, presos por fios às extremidades de um móvel fechado e que provoca um efeito sonoro excepcional.

Durante todo o concerto as referências ao mar foram evidentes, tanto nas letras das músicas como nos restantes instrumentos utilizados. Não foram poucas as vezes em que três dos elementos da Banda sopravam coordenados em búzios e, numa música que de acordo com a Banda "se passava no fundo do mar", até tivemos direito a ouvir os sons de umas castanholas improvisadas que, na realidade, eram duas conchas brancas tal e qual como as do Velho louco do conto de Sophia de Mello Breyner.

O concerto foi bastante apreciável e o Projecto Cordofolia foi uma surpresa bastante agradável para um serão de sábado à noite. Infelizmente, não encontrei informação nenhuma acerca deste Projecto por essa Internet fora, no entanto aconselho vivamente a quem possa estar interessado que procure assistir a uma performance deste grupo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Tangerine Dream

Acabou de ser anunciado mais um grande concerto para 2010. Os psicadélicos Tangerine Dream, uma banda alemã de música electrónica que contribuiu para a explosão do Krautrock no início dos Anos 70, vêm actuar no Coliseu dos Recreios no dia 25 de Março. Com mais de 100(!) álbuns gravados (tendo sido responsáveis por cerca de 60 bandas sonoras), poderá ser difícil projectar um possível alinhamento, mas é, sem dúvida, um concerto a não perder. Os lugares são sentados, pelo que a capacidade da sala será inferior à habitual, por isso recomendo aos interessados a compra célere de bilhetes, para que não fiquem com a sensação de frustração com que eu estou (e que terá que ser cirurgicamente removida) por não ter comprado bilhetes para os The XX. Para aguçar o vosso apetite, deixo-vos aqui umas imagens de momentos cinematográficos (e meio pornográficos) que muitos recordarão, tirados do clássico “Risky Business” – filmes dos Anos 80 são, para mim, um “guilty pleasure” imensurável – cuja banda sonora é da autoria dos Tangerine Dream.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Air @ Coliseu dos Recreios

Foi uma noite morna. O Coliseu dos Recreios encheu para se assistir ao regresso desta muito acarinhada dupla de parisienses ao nosso país, mas o entusiasmo que se gerou aquando da entrada dos Air em palco, ao som do musculado “Do the Joy”, rapidamente esmoreceu. O (competente) último álbum, “Love 2”, foi fortemente representado ao longo da primeira metade do concerto (deixando, estranhamente, o single “Sing Sang Sung” de fora), contribuindo decisivamente para o arrefecimento dos ânimos do público, que aguardava ansiosamente a chegada do desfile de êxitos, que ocorreria na segunda parte do concerto, embora de forma desfalcada (as ausência de “All I Need” e "Surfing on a Rocket", por exemplo, sentiram-se). Os Air continuam a colher – e de que maneira – dividendos do seu álbum de estreia, “Moon Safari”, editado há 12 anos, tendo “Kelly Watched the Stars” e “Sexy Boy” sido, de longe, os pontos altos da actuação. Ouvir os Air é sempre um prazer, e a dupla, dentro do seu estilo low-profile, transmite simpatia, mas a falta de dinâmica da banda em palco e o modesto apoio visual do espectaculo fazem com que a experiência dos seus concerto se assemelhe à de ouvir os seus discos. E, nos tempos que correm, ouvir os discos sai bem mais barato.

Ps - Fotografia escandalosamente, embora assumidamente, "roubada" à Blitz.