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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Air – La voyage dans la lune

Inspirados por um filme mudo centenário de Georges Méliès e catorze anos depois de terem feito um aclamadíssimo “Safari pela Lua”, os Air voltam aos discos de estúdio em 2012 com “La voyage dans la lune”, num registo que intercala diversas faixas ritmícas ao bom estilo a que os Air já nos habituaram com algumas faixas cantadas e onde se destacam participantes especiais como Victoria Legrand dos Beach House (no single Seven Stars) e as Au Revoir Simone (em Who Am I Now?).

De forma a adjectivar este álbum com uma só palavra, a primeira que me vem à cabeça é “Cósmico”, por muito previsivel que este termo seja tendo em conta o título do álbum e, especialmente o estilo da Banda, foi o que se arranjou.

O álbum começa com um cativante Astronomic Club que é imediatamente seguido pela faixa que tem passado mais regularmente pelas rádios: Seven Stars. ). Naquela que será a faixa mais interessante do álbum, existem tons a roçar o electrónico e uma contagem descrescente que é indissociável do Space Oddity de Bowie, no entanto quando esta chega ao 0, em vez de ser dada a ordem de partida ao Major Tom é apresentado o tom melancólico de Victoria Legrand. Após este momento é dado um momento de serenidade de pouco mais de 30 segundos com sons de passarinhos e um piano intenso (“Retour sur Terre”) que serve de início para uma “Parade” electrónica que, não obstante a agressidade latente nos seus ritmos, é simplesmente apaixonante. Seguem-se os instrumentais “Moon Fever” e “Sonic Armada” que antecedem então a faixa que conta com a participação das Au Revoir Simone “Who I am now?” numa composição que parece um pouco “crua”. Até ao fim do álbum, seguem-se 4 músicas essencialmente instrumentais onde o destaque máximo vai para “Cosmic Trip”, numa faixa que está muito bem conseguida.

La voyage dans la lune está (ainda) disponível para audição no Site da NPR.

4/5



domingo, 17 de janeiro de 2010

Air @ Coliseu dos Recreios

Foi uma noite morna. O Coliseu dos Recreios encheu para se assistir ao regresso desta muito acarinhada dupla de parisienses ao nosso país, mas o entusiasmo que se gerou aquando da entrada dos Air em palco, ao som do musculado “Do the Joy”, rapidamente esmoreceu. O (competente) último álbum, “Love 2”, foi fortemente representado ao longo da primeira metade do concerto (deixando, estranhamente, o single “Sing Sang Sung” de fora), contribuindo decisivamente para o arrefecimento dos ânimos do público, que aguardava ansiosamente a chegada do desfile de êxitos, que ocorreria na segunda parte do concerto, embora de forma desfalcada (as ausência de “All I Need” e "Surfing on a Rocket", por exemplo, sentiram-se). Os Air continuam a colher – e de que maneira – dividendos do seu álbum de estreia, “Moon Safari”, editado há 12 anos, tendo “Kelly Watched the Stars” e “Sexy Boy” sido, de longe, os pontos altos da actuação. Ouvir os Air é sempre um prazer, e a dupla, dentro do seu estilo low-profile, transmite simpatia, mas a falta de dinâmica da banda em palco e o modesto apoio visual do espectaculo fazem com que a experiência dos seus concerto se assemelhe à de ouvir os seus discos. E, nos tempos que correm, ouvir os discos sai bem mais barato.

Ps - Fotografia escandalosamente, embora assumidamente, "roubada" à Blitz.